Operação Miragem apura suspeitas de fraude contábil e gestão fraudulenta no Banco Digimais. Justiça determinou bloqueio de R$ 670 milhões em bens de investigados, incluindo dirigentes da instituição e gestores de fundos ligados ao banco
APolícia Federal deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação Miragem, que investiga suspeitas de fraude contábil e gestão fraudulenta no Banco Digimais. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 670 milhões em bens dos investigados, entre eles o líder da Igreja Universal, Edir Macedo, controlador da instituição financeira.
Segundo a investigação, o banco teria utilizado fundos de investimento para ocultar prejuízos bilionários e inflar artificialmente seu patrimônio. Até a publicação desta reportagem, a defesa dos citados não havia se manifestado.
Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão estão dirigentes do Digimais, incluindo o bispo João Urbaneja, considerado homem de confiança de Edir Macedo, e seu filho, Thiago Urbaneja. Também foram alvo da operação os executivos Marcelo de Lima Brasil, João Alves de Campos e Rodrigo Ruggero.
Edir Macedo não foi alvo de buscas porque reside fora do Brasil.
A operação também atingiu
endereços de José Roberto Giancoli Filho e Rodrigo Balassiano, sócios da ID,
gestora responsável pelos fundos ligados ao banco. Eles são investigados por
suposta participação nas manobras contábeis.
De acordo com a Polícia Federal, após assumir o controle do Digimais, Edir Macedo direcionou a atuação do banco para operações de crédito consignado e financiamento de veículos. Após um período inicial de expansão, a instituição teria enfrentado uma deterioração financeira considerada severa pelos investigadores.
Entre 2023 e 2024, o banco passou a oferecer Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rentabilidade superior a 110% do CDI. Segundo a PF, a estratégia expôs a instituição a riscos elevados, especialmente após a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em novembro de 2025.
Os investigadores afirmam que o Digimais mantinha cerca de R$ 600 milhões em exposição a carteiras de crédito vinculadas ao Banco Master.
A apuração aponta ainda que o banco promovia uma sistemática superavaliação de ativos presentes em fundos administrados pela ID. Segundo a PF, o objetivo seria inflar artificialmente o patrimônio da instituição e viabilizar novas captações de recursos.
Para os investigadores, as operações apresentam fortes indícios de gestão fraudulenta e inserção de informações falsas em demonstrações contábeis.
Em maio, o Estadão revelou que fundos ligados ao Digimais teriam sido utilizados para esconder prejuízos milionários. Uma das operações foi identificada pela auditoria independente contratada pelo próprio banco.
Segundo a apuração, a holding de Edir Macedo adquiriu por R$ 741 milhões cotas que o Digimais possuía no Fundo de Direitos Creditórios Hermon.
O fundo tem como principal ativo o direito de receber uma indenização judicial relacionada à antiga Companhia de Mineração e Siderurgia, incorporada pelo governo federal durante o processo de criação da Vale do Rio Doce, na década de 1940.
A ação judicial, que tramita desde os anos 1990, discute valores devidos a antigos acionistas e seus herdeiros. O Hermon estima ter cerca de R$ 2,2 bilhões a receber, mas o cálculo da indenização ainda é alvo de disputas judiciais e não há previsão para conclusão do processo.
De acordo com a Polícia
Federal, ativos adquiridos originalmente por cerca de R$ 71 milhões teriam sido
sucessivamente reavaliados por meio de uma rede de fundos administrados pela
ID, alcançando valor contábil de R$ 741 milhões. Jardim do Agreste.


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