O ex-presidente Jair Bolsonaro é aguardado, hoje, na sede da Polícia Federal, em Brasília, para prestar esclarecimentos sobre o escândalo das joias sauditas trazidas ilegalmente ao Brasil. A oitiva está marcada para as 14h. No mesmo local, também nesta quarta-feira, devem ocorrer outros nove depoimentos. A intenção dos investigadores é avaliar eventuais contradições entre os envolvidos no caso.
O tenente-coronel Mauro Cid, que foi ajudante de ordens do então presidente, e
o assessor Marcelo Câmara, responsável pela segurança do ex-chefe do Planalto,
também vão ser ouvidos pela PF. O escândalo das joias foi revelado pelo jornal
O Estado de S. Paulo. Segundo a reportagem, o governo Bolsonaro tentou trazer
as peças em diamantes ao país sem pagar imposto.
No Brasil, para retirar qualquer item retido na alfândega, deve-se pagar
imposto quando o valor supera US$ 1 mil.
O conjunto em diamantes apreendido pela Receita Federal no aeroporto de
Guarulhos, em São Paulo, em 2021, foi presente do governo da Arábia Saudita.
Contém um colar, um par de brincos, relógio e anel estimados em 3 milhões de
euros (R$ 16,5 milhões).
Os itens estavam na mochila de um militar que atuava como assessor do então
ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. Depois disso, a equipe de
Bolsonaro fez uma série de investidas para tentar resgatar o material.
Também foi revelada a existência de um segundo conjunto de joias, que inclui
relógio, caneta, abotoaduras, anel e um tipo de rosário — todos da marca suíça
de luxo Chopard. Os itens, avaliados em R$ 400 mil, estavam na bagagem de um
dos integrantes da comitiva, mas não foram interceptados no aeroporto.
Na semana passada, veio à tona que Bolsonaro recebeu um terceiro presente, em
2019. Esse conjunto de joias é estimado em R$ 500 mil. No estojo, havia um
relógio da marca Rolex, de ouro branco e cravejado de diamantes; um par de
abotoaduras; um anel com diamantes e uma caneta.
Assim que Bolsonaro foi intimado pela PF, a defesa disse que a oitiva
"será uma oportunidade para ele prestar todas as informações
necessárias". "É um ato processual corriqueiro, ocasião em que ele
esclarecerá que agiu sempre de acordo com a legislação que regula a oferta de
presentes de governos estrangeiros", frisou.
Quando o escândalo explodiu, Bolsonaro, inicialmente, negou possuir as joias.
Em 3 de março, após um evento nos Estados Unidos, o ex-presidente disse que não
pediu nem recebeu nenhum presente em joias do governo saudita. "Agora
estou sendo crucificado no Brasil por um presente que não recebi. Vi em alguns
jornais, de forma maldosa, dizendo que eu tentei trazer joias ilegais para o
Brasil. Não existe isso", afirmou, na ocasião.
A expectativa é de que, no depoimento à PF, Bolsonaro repita discursos recentes
de que as joias foram "presentes que ele não pediu". Em entrevistas,
o ex-presidente chegou a dizer que os estrangeiros "têm muito
dinheiro" e que, para eles, é um prazer presentear. Fonte: DP


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