O advogado Eldy Magalhães e
o ex-vice-prefeito e delegado Israel Rubis trocaram ofensas e precisaram ser
contidos por pessoas que estavam no plenário, após um bate-boca registrado na
plateia da Câmara Municipal de Arcoverde, na noite da segunda-feira (20
O episódio teve início
durante a participação do advogado na Tribuna Livre, quando ele discursava
sobre o processo que culminou na renúncia do vereador Claudelino Costa. A fala
incluiu críticas diretas a parlamentares, o que elevou a tensão no plenário.
O ponto de maior atrito
ocorreu após um comentário direcionado à vereadora Célia Galindo. Durante o
discurso, o advogado afirmou que a parlamentar “faz política por conveniência”,
citando mudanças em posicionamentos políticos.
A Câmara Municipal disse ao
g1, por meio de nota, que a discussão envolveu “xingamentos e agressões verbais
recíprocas”, levando ao encerramento da sessão. Ainda segundo a Casa, o tumulto
entre Eldy Magalhães e Israel Rubis ocorreu na plateia do plenário, área destinada
ao público.
Ao g1, Israel Rubis afirmou
que foi citado sem ter relação com o caso e disse que procurou o advogado para
pedir explicações.
“Eu fui pra lá pra conversar
e perguntar qual é o motivo da menção que ele fez a mim, isso não tem nada a
ver”, disse. Ele também afirmou que houve provocação. “Ele chegou, botou o dedo
na minha cara, começou a gritar”, declarou.
O ex-vice-prefeito negou que
tenha iniciado a confusão e disse que reagiu às ofensas. “Ele veio pra cima de
mim, eu terminei pra me defender, fui pra cima dele também”, afirmou. Rubis
informou ainda que registrou boletim de ocorrência e pretende tomar medidas
legais.
Já o advogado Eldy Magalhães
apresentou versão diferente. Segundo ele, a confusão começou após
desentendimento com a vereadora e se intensificou após o fim da sessão.
“Houve um debate acalorado
com a vereadora, que começou a proferir palavras de baixo calão comigo”, disse
Eldy Magalhães .
Sobre o confronto, o
advogado afirmou que foi alvo de tentativa de agressão. “O ex-vice-prefeito […]
começou a me proferir palavras também de baixo calão e a tentar me agredir
fisicamente”, declarou. Ele acrescentou que pretende acionar órgãos
competentes. “Vou adentrar com representação junto à Corregedoria de Polícia”,
afirmou.
A Câmara informou que o episódio ocorre em meio a um cenário de tensão política no município, relacionado ao processo de cassação de Claudelino Costa, investigado por suspeita de corrupção. O parlamentar renunciou ao cargo horas antes de uma sessão que trataria do caso, mas advogados defendem a continuidade do processo para possível inelegibilidade.
Na nota, a Câmara afirma que o cenário tem origem em um conflito político entre os poderes Executivo e Legislativo e aponta que houve “perseguição política por parte do chefe do Poder Executivo” contra o presidente da Casa.
Ainda segundo o posicionamento oficial, o clima de instabilidade se intensificou após o rompimento entre o prefeito e o presidente da Câmara, Luciano Pacheco. A Casa relata que, após o rompimento, houve esvaziamento de sessões por parte de vereadores aliados ao Executivo e a apresentação de um pedido de cassação contra o próprio presidente.
Em nota, o advogado Fernandes Braga, responsável pela defesa de Claudelino Costa, criticou a atuação do advogado que utilizou a tribuna e classificou o episódio como um desvirtuamento do espaço legislativo. “O que se viu […] foi um desvirtuamento absoluto desse instrumento, transformando-o em um palco para ofensas pessoais”, afirmou.
Segundo ele, houve
extrapolação das prerrogativas da advocacia. “A imunidade profissional do
advogado não é um ‘cheque em branco’ para a prática de ilícitos”, disse. Braga
também afirmou que foram feitas acusações sem comprovação. “Proferiu imputações
criminosas […] incorrendo, em tese, nos crimes de calúnia e difamação”,
declarou.
O advogado ainda citou ataques à vereadora Célia Galindo. “Os ataques direcionados […] configuram violência política de gênero”, afirmou. Ele também criticou a condução da sessão. “O presidente […] agiu com omissão e irresponsabilidade”, disse.
Braga afirmou ainda que pretende adotar medidas judiciais e administrativas. “As medidas cabíveis já estão sendo articuladas”, declarou, citando representação criminal e acionamento da Ordem dos Advogados do Brasil.
Sobre o processo envolvendo Claudelino Costa, o advogado defendeu o encerramento do caso após a renúncia. “O processo de cassação perdeu seu objeto […] sustentaremos o arquivamento imediato”, afirmou.
O g1 solicitou
posicionamento da vereadora Célia Galindo, mas não obteve retorno até a última
atualização desta reportagem. G1.


0 Comentários