ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Atleta de Mulungu de Sanharó, sonha em ir para Tóquio 2020: saltador supera dificuldades por sonho olímpico



No Sítio Mulungu, distrito da cidade de Sanharó, no Agreste de Pernambuco, Marco Antônio cresceu vendo a agricultura como o destino de quase todos os moradores do local. A falta de dinheiro e a vontade de ajudar a família, no entanto, o fez seguir outro caminho. De olho no Bolsa Atleta - programa do Governo Federal, que garante patrocínio para atletas de alto rendimento -, ele iniciou os treinos no Atletismo.

Estudante do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), viu na corrida a esperança de mudar. Não deu certo. Ficou em quarto na seletiva e longe do benefício. Foi quando um treinador transformou a vida de Marco Antônio. De olho no 1,92m do garoto, André Cardoso observou, naquele rapaz franzino, o biótipo perfeito para outra modalidade: o salto em altura.

- Marco apareceu lá no Instituto onde temos um projeto. Chegou para ser avaliado numa prova de velocidade. Foi quando vi aquele camarada correndo com aquela estatura. Ele saiu, fez a corrida dele. Depois chamei ele e falei: "Rapaz, você se identifica em outra prova. Quer tentar fazer outro tipo de prova, não?" Aí ele foi de acordo e disse que queria. Disse que iria apresentar uma amiga professora e Marquinho foi apresentado a Glébia, que agora dá todo suporte para ele no salto em altura e faz alguns trabalhos comigo, dois dias na semana, no Instituto Federal.


O começo dos treinos tinha ar de brincadeira. Quem olhasse de longe dificilmente apostaria no sucesso de Marco Antônio. Ao lado dos primos, Alef Kaique e Isaque Barbosa, responsáveis por segurarem a corda para os saltos, passou a usar o campo de futebol do sítio Mulungu para iniciar a preparação. Mesmo com todas as dificuldades, a aposta deu certo. Logo na primeira competição, campeão da etapa regional dos Jogos Escolares, em Buíque. Não parou por aí. Com menos de dois anos de treino, foi campeão pernambucano adulto e sub-20, saiu da marca de 1,60m para 1,97m. Evolução que fez com que a treinadora se rendesse ao talento do garoto.

- Na primeira competição, ele foi para 1,97m. Então foi uma evolução muito rápida. O que seria em um ano foi em meses. Ele tem um potencial imenso. Tem condições de ser o melhor do Brasil, até porque tem 18 anos.

Os bons resultados no cenário estadual fizeram com que Marco tivesse vaga para a fase nacional dos Jogos Escolares. Na semana do evento, que ocorreu em São Paulo, uma notícia o fez perder o rumo: o falecimento do pai.


 - Foi a pior sensação da minha vida. Sem querer ser mais do que sou, iria para a competição para ser campeão. Estava muito bem e focado, mas não tive mais condição. Tinha falado com meu pai minutos antes, saí de casa e me ligaram falando que meu pai tinha morrido. Mesmo assim eu competi, mas cheguei em 10º. Não foi o que eu posso fazer, mas naquele momento quase nem estava ali.

O péssimo resultado na competição nacional não tirou de Marco a certeza de que lutará por uma vaga nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. Mas olhando a melhor marca do Brasil, 2,30m, cravada por Talles Silva, Marco Antônio acredita que pode superar e se apega à evolução vista nos treinamentos.

A esperança do atleta é um reflexo do que pensa a treinadora Glébia Galvão. Responsável por garimpar talentos no interior pernambucano, ela vê em Marco o perfil de um futuro campeão.

- O diferencial de Marco é que ele é focado. Digo a ele que eu o vejo em Tóquio, em 2020. Seleção brasileira. Dá tempo? Com certeza. Tem dois anos ainda. Dois anos para ele igualar o melhor do Brasil. Ele tem potencial para isso.
Imagens: Elton de Castro