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'A vítima aqui sou eu', diz acusado de ser mentor do trio de canibais durante julgamento no Recife


Os três acusados de canibalismo em Pernambuco começaram a ser julgados nesta sexta-feira (14), no Fórum de Joana Bezerra, no Recife. Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, acusado de ser o mentor do trio, transferiu a culpa para Bruna Cristina Oliveira da Silva. "A vítima aqui sou eu", disse em depoimento.

Os dois e Isabel Cristina Torreão Pires respondem pelos assassinatos de duas mulheres em Garanhuns, no Agreste, ocorridos em 2012. Eles já foram condenados, em 2014, pela morte de Jéssica Camila da Silva Pereira, em maio de 2008. 

Durante o julgamento de 2014, em que foi condenado, Jorge chegou assumir o assassinato cometido em Olinda e lamentou o ocorrido, afirmando que tinha apagões quando não tomava medicação. Porém, ao ser ouvido nesta sexta, ele afirmou que foi torturado por Bruna na época. 

“Vou falara verdade agora porque, no outro julgamento, eu ocultei muita coisa em defesa de Bruna. Conheço Bruna desde que ela tinha 17 anos e ela me disse que era bruxa. Eu não tenho participação nisso. Tanto eu quanto Isabel fomos torturados para assumir isso aí”, alegou. 

Jorge chegou a discutir com o assistente de acusação, pedindo para que não fosse usado de deboche com ele. Durante o depoimento, ele negou conhecimento sobre a utilização de carne humana em salgados. 

"Eu não sei desse negócio de carne humana não. Bruna disse que era uma bruxa e seria conhecida para o mal e para o bem", apontou Beltrão. 

Apesar de a imprensa poder acompanhar o julgamento, o juiz Ernesto Bezerra não permitiu que fossem feitas imagens mais próximas dos acusados.

Julgamento

Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, Isabel Cristina Pires da Silveira e Bruna Cristina Oliveira da Silva estão sendo julgados pelas mortes deAlexandra da Silva Falcão, 20 anos, e Gisele Helena da Silva, 31 anos, ocorridas em Garanhuns, no Agreste de Pernambuco. Por volta das 10h, foi formado o juri, composto por 5 homens e 2 mulheres.
Os três são acusados de duplo homicídio triplamente qualificado - por motivo torpe, com emprego de cruel e impossível a defesa da vítima -, além dos crimes de ocultação e vilipêndio de cadáver e de furto qualificado. Jorge Beltrão e Bruna Cristina respondem ainda por estelionato, sendo que Bruna ainda é acusada de falsa identidade. 

Segundo a Denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), as duas vítimas foram chamadas à casa de Jorge Beltrão Negromonte Silveira, um dos réus, para ouvir a palavra de Deus ou para um trabalho de babá. 

Com a participação de Isabel Cristina Pires da Silveira e Bruna Cristina Oliveira da Silva, as mulheres foram mortas em 2012 e partes dos corpos foram armazenadas para consumo dos três acusados. 

Anexo às provas, existem laudos expedidos por peritos oficiais do Estado que afirmam que todos os réus possuem plena sanidade mental. O advogado de Jorge Beltrão questiona o laudo e afirma que o cliente é esquisofrênico paranóico e não responde por seus atos. 

Condenação em 2014
No primeiro dos dois dias de julgamento, em 2014, o trio foi hostilizado ao chegar ao Fórum de Olinda e trocou acusações entre si durante os depoimentos. Eles contaram detalhes macabros da ação e uma das rés, Bruna Cristina, disse que “Jogos Mortais perdia” ao descrever o assassinato de uma das vítimas. A ré afirmou que chegou a comer a carne da mulher por causa do ritual. 

Por crimes da mesma natureza cometidos em 2008, Jorge Beltrão Negromonte da Silveira pegou 21 anos e seis meses de reclusão e um ano e seis meses de detenção, totalizando 23 anos. Já as rés Isabel Cristina Torreão Pires e Bruna Cristina Oliveira da Silva pegaram 19 anos de reclusão e um ano de detenção, totalizando 20 anos cada.

Fonte: G1