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Por contrato, decisão de operar Neymar é do PSG

Atacante sofreu uma entorse no tornozelo direito e discute cirurgia para reparar fissura no quinto metatarso


Uma cláusula no contrato entre Neymar e Paris Saint-Germain garante ao clube a decisão final sobre tratamentos médicos que o jogador fizer durante o período de vigência do acordo, até 2022. O atacante e a equipe francesa discordam sobre a necessidade de uma cirurgia para tratar da lesão que ele teve no último domingo (25).

Neymar sofreu contusão durante a partida contra o Olympique de Marseille, pelo Campeonato Francês. Exame realizado nesta segunda-feira (26) detectou entorse no tornozelo direito e fissura no quinto metatarso do pé. Para estar 100% na Copa da Rússia, em junho, o atacante brasileiro quer passar por cirurgia no pé direito, que o tiraria de campo pelo PSG por pouco mais de dois meses.

Há sete meses, o clube francês pagou 222 milhões de euros (R$ 879,5 milhões em valores atuais) para ter o ex-santista. O brasileiro está fora do jogo de volta das oitavas de final da Liga dos Campeões, contra o Real Madrid, no próximo dia 6, independentemente se optar pela cirurgia ou por um tratamento mais conservador.

Mas se não operar e o Paris Saint-Germain se classificar, poderia voltar a tempo de disputar as quartas de final, marcadas para começar em 2 de abril. Com a cirurgia, Neymar poderia atuar apenas se sua equipe chegasse à final do torneio, em 26 de maio, em Kiev.
A reportagem apurou que o PSG está descontente com a informação sobre a possível cirurgia do jogador ter sido publicada nesta terça para a imprensa brasileira.
A decisão do atacante foi publicada primeiramente no site Globoesporte.com. Os franceses interpretam a divulgação da notícia como uma forma de pressão. O brasileiro foi contratado como maior esperança para que a equipe, que pertence a empresa ligada à família real do Qatar, conquiste o maior objetivo: ser campeão europeu.

"A informação de que Neymar vai operar é falsa", afirmou o técnico do PSG, Unai Emery, em entrevista coletiva na terça (27). "Falei com o médico nesta manhã, e ele me explicou o que os exames revelaram. Também falei sobre o assunto com o Antero (Henrique, diretor esportivo), com o presidente e com o próprio jogador", disse.

Procurado, o PSG informou que o clube não vai se manifestar por enquanto. A assessoria de Neymar disse que aguarda um posicionamento oficial do clube francês sobre a cirurgia. "O PSG já sabe que não vai contar com Neymar nos próximos jogos, que não vai contar com Neymar por seis semanas no mínimo, porque esse tratamento vai durar de seis a oito semanas. Isso já está definido, independentemente de cirurgia ou não. O tratamento convencional também vai demorar de seis a oito semanas, e só o que precisamos fazer é o que não pode causar uma nova fratura lá na frente, que possa prejudica-lo", afirmou o pai de Neymar, em entrevista para a ESPN Brasil.

Após ver a notícia ser publicada nesta terça (27), o médico da seleção brasileira, Rodrigo Lasmar, que estava em Sochi (Rússia) em um evento da Fifa, se dirigiu a Paris para auxiliar os médicos franceses. "Eu venho falando com o departamento médico do PSG desde o dia da lesão. As informações corretas serão dadas por eles, estamos juntos nessa. A partir desta quarta, depois que eu examinar o jogador, a partir disso tomamos uma decisão", afirmou Lasmar.

"A cirurgia vai depender do tipo de fratura, precisamos avaliar isso e fazer um diagnóstico mais claro depois que fizer todos os exames, aí, sim, teremos uma indicação", completou o médico da CBF.

100% PARA A COPA
Médicos ouvidos pela reportagem indicam uma cirurgia como decisão mais indicada para garantir Neymar no Mundial, em junho. Eles afirmam, porém, que em casos mais comuns, um tratamento conservador ser o mais utilizado.

"Se tratando de um atleta de alto nível, com situação de disputa de Copa do Mundo nos próximos três meses, em que ele necessita total confiança para fazer todas as atividades de rotação e movimentos de lateralidade, está se levantando a possibilidade de fixação com parafuso, que teoricamente diminui a chance de não ter a consolidação desse osso", disse José Luiz Runco, médico da CBF por 16 anos, entre 1998 e 2014.

"Em casos que você quer uma reabilitação mais rápida, um retorno mais rápido ao esporte, a cirurgia é o indicado. Com a colocação do pino, ele vai aproximar o fragmento, o que o deixa com maior contato e favorece a cicatrização", afirma o ortopedista Ronaldo Nazaré, chefe do departamento médico da CBF no fim da década de 1980 e médico do Cruzeiro por 30 anos.
Fonte: FolhaPE