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Fé, saudade e futebol: a vida de Al-Sarori, o primeiro iemenita a atuar no Brasil

O Iêmen agora não tem futebol porque tem guerra". Foi com essas palavras que o meia-atacante Ahmed Abdulhakim Ahmed Al-Sarori, ou apenas Al-Sarori, de 19 anos, descreveu a atual situação do seu país de origem. No Brasil há pouco mais de oito meses, o iemenita estreou pelo Central no último domingo, contra o Sport, no Lacerdão, pela quinta rodada do Campeonato Pernambucano. 

Há dois anos, Al-Sarori lembra que o esporte existia no Iêmen e em outros países árabes, como Bahrein, Catar, Kwait e Arábia Saudita, nos quais ele também jogou antes de vir para o Brasil. Questionado sobre a diferença entre o futebol brasileiro e o asiático, o jovem jogador é claro:     

- Lá [na Ásia] os jogadores não são como os daqui. Aqui jogam bem. Lá, muitos jogadores não gostam de futebol, outros jogam pelo dinheiro e não por amor. Vim para o Brasil porque [os jogadores daqui] jogam demais, quero jogar com eles. Sou o primeiro árabe a atuar no país, não só o primeiro iemenita. 
Ao GloboEsporte.com, o meia-atacante revela que já tem uma filha nascida no Brasil, a pequena Lissa, de três meses. A mãe da menina, e noiva de Al-Sarori, Letícia, também é brasileira e mora no Rio de Janeiro, estado onde o jovem atuou antes de vir por empréstimo para o Central.     

Alternando os idiomas entre o português, o inglês e o árabe, o iemenita afirma que a noiva é o seu amor, e que "está apaixonado e com saudade dela" e da filha. Apesar de ser jovem, Al-Sarori diz que está velho para casar, porque árabe se casa ainda na adolescência, com 16 ou 17 anos. O meia-atacante da Patativa ainda conta que há dois anos não vê os pais e os irmãos.    

- Tenho muitos amigos no Iêmen, sinto muita saudade. Meu pai e minha mãe trabalham em Dubai. Tenho cinco irmãos e um joga na seleção, Mohammed, que atua no Catar. Outro irmão morreu em um acidente de carro. Faz dois anos que não vejo minha família. Uso as redes sociais para falar com eles. 
"O Iêmen agora não tem futebol porque tem guerra", afirma Al-Sarori.     

Primeiras impressões de Caruaru 
Antes de vir para o Central, Al-Sarori passou pelo Al-Ahli Club Sana'a, Tigres-RJ, Caxias-RS, foi para o futebol do Mato Grosso, depois Londrina e Apucarana-PR. Em nenhum dos times brasileiros ele atuou. O primeiro jogo profissional do iemenita no Brasil foi no clube do interior de Pernambuco. 
Sobre Caruaru, o jovem jogador destaca que já saiu para conhecer alguns lugares da cidade e que fez amigos no time. Alguns deles até já ganharam apelidos.    

- Já vi tudo na cidade, gostei muito. Mas prefiro ficar em casa. Sarori gosta de dormir. Dos amigos, gosto de todos, mas tem quatro que gosto muito: Bachir [Idevam], Paruê [Dênis], Juniors [Júnior Palmares] e Polinho [Paulinho Curuá]. 

Com relação à comida, Al-Sarori brinca ao dizer que gosta da culinária do Brasil, mas prefere a árabe.  - Comida árabe não existe no Brasil, é mentira. Não tem pimenta. Árabe é melhor.     

Não deixou o islamismo de lado 
Al-Sarori é islamita e não deixou a religião de lado ao vir morar no Brasil. Ele ora cinco vezes ao dia tradicionalmente voltado para Meca, uma cidade da Arábia Saudita considerada a mais sagrada no mundo para os muçulmanos.    
- Sou islã, graças a Deus. Faço cinco orações por dia. Falo com Deus sobre a vida, para cuidar da família, para jogar bem. Às 5h eu acordo, tomo banho, porque tem que estar limpo para falar com Deus, coloco meu tapete no corredor pela primeira vez e oro. Depois às 11h, às 15h, às 17h e às 19h leio meu Alcorão, leio todo dia. 
Devido à religião, o jogador não ingere bebida alcoólica e afirma que no Iêmen há mais respeito entre as pessoas e com Deus do que no Brasil. 

"Longe de Deus eu não estou bem", revela o jovem.    

- Eu respeito Deus. Não pode música, não pode barulho, televisão [durante a oração]. Aqui [em Caruaru] tem muitos [jogadores] morando comigo e eu me acordo quando eles estão dormindo para falar com Deus. Deus sabe que não tenho outra casa para orar com mais respeito.    

Futuro no futebol e atuação pelo Central 
Mesmo estando atualmente no Central, Al-Sarori não quer deixar de atuar na seleção do Iêmen, pois tem campeonatos para jogar.    

- Meu empresário é dos Estados Unidos e me disse que eu ia jogar um pouco no Brasil para depois ir para a Europa. Meu sonho é jogar na Europa. Mas espero ganhar o campeonato [Pernambucano]. Eu estou feliz, mas quero trabalhar mais para o treinador confiar em mim. Graças a Deus a gente jogou bem. Vamos continuar assim. 

Pela seleção local, o atleta acumula 30 convocações e 16 gols marcados. Com 17 anos e 95 dias, Al-Sarori foi o mais novo a marcar um gol para as eliminatórias da Copa do Mundo da FIFA Rússia 2018. Além de ser o primeiro iemenita a marcar um gol nas eliminatórias para o mundial.    

Para o iemenita que já passou por 40 países, o Brasil é o melhor deles. Aos torcedores e demais jogadores do Central, ele deixa um recado:    

- Estou feliz aqui no clube. Todos os jogadores são meus amigos e agradeço por me ajudarem aqui. Vamos ganhar o campeonato. Obrigado a todo mundo.