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Estudo desenvolve “vacina” contra dependência em cocaína e crack

O Centro de Referência em Drogas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) iniciou uma série de testes para avaliar a eficácia de uma espécie de vacina contra a dependência em cocaína e crack. A etapa de experimentos em roedores foi concluída e os testes devem começar em primatas, podendo chegar em humanos ainda em 2018. Segundo os estudiosos responsáveis pela pesquisa, em condução desde 2012, o tratamento injetável seria uma maneira do corpo produzir anticorpos capazes de reduzir o efeito do prazer que as drogas causam.    

“Essa pesquisa pode trazer muito impacto para a saúde pública, uma vez que é grande o número de pessoas que sofrem transtorno por uso da substância e que poderiam ser beneficiadas pelo produto. O impacto social também ocorre porque, para cada dependente químico, existem, em média, outras três pessoas que também sofrem as consequências dessa dependência. Em um campo em que ainda não existem medicamentos para tratar as pessoas, ela aparece como recurso que poderá ser associado ao tratamento psicológico e outras medidas”, explica Frederico Garcia, do Departamento de Saúde Mental, à agência de notícias da UFMG.    

Estudos parecidos também estão sendo desenvolvidos em outras partes do mundo, sendo três deles nos EUA e um na Coreia do Sul. O professor Ângelo de Fátima, do Departamento de Química, explica que a base da vacina é a mesma das já comuns e conhecidas, uma plataforma proteica conectada a substância que produza o anticorpo quando introduzida no organismo por ativar o sistema imunológico do paciente contra o agente a ser combatido, mas os resultados e a forma como esse composto está sendo produzido são diferentes de outras experiências fora do país. “A indução de anticorpos provocada pela vacina reteve uma quantidade maior da droga no sangue do roedor, não chegando ao cérebro do animal, que é o alvo biológico da cocaína. Conseguimos diminuir os efeitos da droga no animal, alterando o perfil farmacocinético da substância. As vacinas convencionais, como a anticocaína dos Estados Unidos, originam-se de plataforma proteica, que pode ser uma proteína de vírus ou de bactéria. A nossa vacina vale-se de uma plataforma não proteica feita 100% em laboratório”, esclarece.   

Para serem testadas em humanos, duas etapas ainda precisam ser realizadas. A primeira é uma requisição da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que exige o estudo da biossegurança da molécula em animais, com o objetivo de confirmar que a medicação não criará efeitos nocivos a, pelo menos, duas espécies. A segunda fase diz respeito a um estudo clínico que submeterá seres humanos às mesmas avaliações de biossegurança para garantir que os possíveis efeitos colaterais serão mínimos. A partir dessa fase, a droga poderá ser realmente testada em seres humanos.   

Caso a estratégia dê certo, moléculas semelhantes poderão ser criadas para inibir a sensação de prazer gerada por outros tipos de substâncias como a nicotina e THC, por exemplo, ajudando pessoas a superar o vício em cigarro e maconha, respectivamente. Em entrevista ao Uol, psiquiatras expressam apoio e também preocupação com a novidade. Carla Bicca é vice-coordenadora da Comissão de Dependência Química da Associação Brasileira de Psiquiatria e, embora não creia numa solução definitiva para vícios químicos, encarou positivamente a novidade. “Em uma área tão escassa, a gente recebe com boas expectativas quando surge algo promissor. Não vai funcionar para todos, mas seria mais uma arma para ajudar os pacientes”, comenta. Renata Azevedo, chefe do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Unicamp, compartilha da mesma ideia de Carla. “Dentro de um contexto de tratamento e psicoterapia, pode ser uma ferramenta complementar para o paciente, mas corre o risco de aumentar o uso de quem não estiver motivado a largar o vício”, frisa. Fonte: Diário de Pernambuco